quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Esboço (Fevereiro 2008)






E a introspecção não passou de uma grande evolução onde pude tomar a consciência dos fatos e amadurecer a idéia de que nada é como eu quero.
Tudo imaginação.
E essa imaginação ampliada e somada resulta-se numa majestosa e grandiosa elevação de espírito.
Louca ou não reencontro com a própria vida. E neste despertar de realidade onde antes o lírico era domínio agora uma certa razão prevalece. Mas não a razão absoluta. É uma razão tomada de precaução, delicada como papel de manteiga e que pode rasgar-se a qualquer momento. Afinal a fragilidade nada mais é que uma fina camada de pele que com o tempo apodrece. E já não se encontra mais ali. É pó.
Aí do nada uma certa emoção acorda meus sentidos humanos e quando me dou por conta estou em pé novamente. Erguida por uma força maior. E é por essas e outras que tomo como lição não só estar apenas em carne rija, mas estar ao nível de todas as coisas. Sou apenas uma pequena partícula de sonho. Uma pequena letra de uma pequena palavra de um pequeno trecho de um pequeno livro de uma pequena história.
E isto não faz de mim poeira. Tampouco faz de mim uma mera personagem sem contexto.
O que me move agora, não é mais o amor.
O que me move agora é tão forte e maior que isto.
É imensamente maior do que qualquer esboço de qualquer idéia.
Daí, a imensa necessidade da libertação de espírito.
Ondas que são transmitidas e captadas por almas elevadas.
Tolice seria permanecer no estado de estátua. E gelo. E pedra. E sombra. E vago. E sentar-se ao pé da figueira remoendo as dores do passado enquanto o filme que passa é de meu próprio punho. E poder parar. E poder mudar a iluminação. E poder reescrever. E poder ficar insana quando me for cativo.
Para depois me libertar mais. E mais.
O sopro que vem é real. E é real também toda essa falsa maestria de controle sentimental humano, onde cada um julga-se maior e melhor que outrem , numa passada de relações indevidas e desconjuntadas, onde o jogo de interesse vale mais que o respeito mútuo, onde tudo não passa de elaborações mal formadas e mesquinhas, onde nada é transparente, a não ser a falsa idéia de que se pode ser mais, quando se não é.

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